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Guarda sol em flor

  • relyjae
  • 18 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Regina Lydia


“As flores dos flamboyants dentro de poucos dias, terão caído. Assim é a vida. É preciso viver enquanto a chama do amor está queimando...”

Rubem Alves



Sempre que passo pela antiga casa dos meus pais, nesta época da primavera, me deparo com o nosso grande e velho Flamboyant florido. Sua copa se espalha por todo o jardim como um grande guarda sol que ainda protege nossos segredos. E lá estão suas flores de um vermelho intenso que me trazem tantas lembranças.


Porto Alegre ainda tem muitos exemplares desta árvore espalhados por seus bairros, mas meu pai se orgulhava de dizer que o nosso era o maior e o mais florido da cidade. Quem sabe?


Só sei que seus galhos foram testemunhas de muitas histórias de família, desde juras de amor até desavenças.


Embaixo dele brincamos com os amigos de infância, com nossos primos, com os nossos animais de estimação, inclusive duas tartarugas – um cágado preto, chamado Jonjoca – e uma outra grande com o casco desenhado e o corpo rajado de verde e amarelo. Talvez o nome dela fosse Patriota, mas minha memória anda lenta.


Também foi cenário de muitas fotos, desde aniversários a noivados ou bodas.

Certa vez, uma prima mais velha fez o ensaio fotográfico do seu casamento lá em casa. Eu, na época com uns sete anos, assisti àquelas cenas como se fosse um filme. Uma noiva linda com seu véu, vestido e luvas brancas cobrindo o antebraço. Elegante como a Audrey Hepburn.


Quando adolescentes fazíamos as reuniões dançantes em casa, e alguns pombinhos mais afoitos, iam para baixo do Flamboyant trocar os primeiros beijos. Meu pai, sempre atento, fazia a ronda de vez em quando, e os mais desavisados eram pegos em flagrante delito. O mais famoso caso foi quando ele viu meu primo abraçado aos beijos com a namorada e ficou indignado dizendo: “peguei o fulano e a fulana a um passo do ato sexual”. Nós ríamos muito, pois ele falava que abraço de frente não podia, só de lado. Não vou entregar o nome do primo, mas vai render boas risadas quando ele ler esta crônica.


Por enquanto, nosso Flamboyant segue firme enfeitando a cidade e o nosso antigo jardim. Por sorte ainda não foi engolido por alguma construtora para virar um empreendimento civil. 

Acredito que, por ser tão majestoso, tenha proteção ambiental e deva permanecer para sempre no mesmo lugar, preservando nossa história. Assim, as próximas gerações da família, ao passarem por lá, também poderão reverenciá-lo.

 
 
 

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